O place branding é um caminho economicamente saudável e culturalmente viável para o desenvolvimento de uma região e o fortalecimento dos negócios locais. Calma, essa não é apenas mais uma frase de efeito saída da cabeça de uma publicitária. É uma constatação baseada na prática. Seja como especialista na área ou como turista curiosa, acredito no potencial desse conceito. Mas ele se torna verdadeiramente transformador quando é implementado com intencionalidade e continuidade.

Place Branding em Domingos Martins: Um trabalho coletivo com Sebrae ES, MCCVB, Conselho Municipal de Turismo e Cultura, poder público e iniciativa privada.
Já escrevi aqui sobre o termo place branding em outros artigos, mas faço questão de retomá-lo, e com razão. Ele não é novo: surgiu por volta da década de 1970 e, desde então, vem ganhando força, principalmente com a aceleração da globalização e a forma como o turismo se redesenhou em diversas partes do mundo. Regiões que entenderam o valor estratégico de trabalhar sua identidade territorial como marca, hoje colhem frutos sólidos dessa escolha.
Um bom exemplo nacional de place branding é Bonito, no Mato Grosso do Sul. A cidade investiu na construção de uma imagem ligada ao ecoturismo, com foco em sustentabilidade, preservação ambiental e experiências imersivas na natureza. Esse posicionamento claro não só atrai turistas do Brasil e do mundo, mas também fortaleceu uma cadeia produtiva local, envolvendo desde guias e artesãos até produtores rurais.
Outro caso relevante é o Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha. Ali, a combinação de tradição, enoturismo e valorização da herança cultural italiana consolidou uma marca territorial que gera valor para a economia regional e para os pequenos produtores. Não é só vinho: é história, identidade e pertencimento comunicados de forma estratégica.
Até mesmo cidades litorâneas como Jericoacoara, no Ceará, souberam explorar o potencial do place branding. Ao combinar rusticidade, contato com a natureza e lifestyle praiano, Jeri se tornou sinônimo de autenticidade, atraindo um turismo segmentado, mas economicamente potente.

Região Serrana dá início ao processo de turismo de experiência junto a empreendimentos da região
No Espírito Santo, o Decola Turismo está mostrando que planejamento faz milagres. Nas Montanhas Capixabas, por exemplo, uma das primeiras etapas do trabalho de place branding foi a leitura da vocação e o desenvolvimento do posicionamento, da plataforma de marca e do sistema visual, a fim de garantir uma base sólida e coerente para todas as comunicações. Após essa etapa estruturante, partimos para as campanhas de ativação de marca, uma delas foi a campanha para o público interno Orgulho de Ser das Montanhas Capixabas, voltada para fortalecer o senso de pertencimento e orgulho da população local. Afinal, turismo depende da comunidade não se faz turismo sozinho.
Essa campanha foi pensada para conscientizar a população sobre o valor da sua cultura, história e gastronomia. Ela ganhou vida tanto no online, por meio dos canais oficiais, quanto no offline, gerando impacto real no coração das pessoas que vivem nos dez municípios da região.
Além disso, em Domingos Martins, estratégias vêm sendo aplicadas para potencializar o turismo, aproveitando os ativos culturais, gastronômicos e naturais locais e construindo narrativas alinhadas com a identidade territorial. Nosso time foi a campo e, após muita pesquisa e aprofundamento nos estudos sobre a localidade, identificamos a vocação da cidade: algo que pode e deve ser explorado pelo poder público, pela iniciativa privada e também pela própria população.

Após muitos dados e pesquisas, compreendemos a vocação pulsante de Domingos Martins para entregar um Sistema Visual que traduza essa potência turística que é a cidade
Na etapa mais recente desse processo, realizamos a entrega do Sistema Visual da Marca Turística do Município. Traduzimos em símbolos, cores e traços a melhor forma de comunicar toda essa vocação visualmente, criando uma identidade que representa e valoriza o que Domingos Martins tem de único.
O Noroeste Capixaba também está descobrindo e moldando sua vocação turística por meio das ações do Decola Turismo, com o protagonismo de instituições como o SEBRAE ES e o CIM Noroeste. Mais do que criar uma marca, trata-se de reconhecer uma identidade já existente e traduzi-la em narrativa, valor e desenvolvimento.
O que esses lugares têm em comum? Não são grandes centros urbanos, tampouco contam com os mesmos recursos de países ricos. Mas souberam ouvir seu território, identificar o que os torna únicos e comunicar isso de forma consistente.
O artigo ficou longo, eu sei. Mas não tem jeito: falar de place branding é mergulhar em um universo potente e de múltiplas possibilidades. É olhar para a cultura, para a sustentabilidade, para a gastronomia, para a economia criativa que, como mencionei antes, se desenvolvem na esteira do posicionamento dos territórios.
Não existe bala de prata para resolver os desafios econômicos e sociais de uma sociedade. Mas, se eu pudesse apontar caminhos que realmente transformam, o place branding certamente estaria entre eles. Porque quando um território entende quem ele é, valoriza suas raízes e comunica isso com consistência, ele deixa de apenas existir no mapa e passa a existir na memória, no desejo e no coração das pessoas.





