AceleraTur no Caparaó: Turismo de Experiência e Café como estratégia de desenvolvimento

Junho passou, e no Decola Turismo o mês foi marcado por intenso trabalho em prol do turismo capixaba. Iniciamos o processo de implantação de rotas de experiências turísticas em propriedades cafeeiras e outros empreendimentos da região do Caparaó, cujo potencial para encantar visitantes é inegável. Atualmente, estamos em 20 propriedades, sendo 10 em Muniz Freire e outras 10 distribuídas pelos municípios de Dores do Rio Preto, Iúna, Divino de São Lourenço, Pedra Menina, Irupi e Ibitirama.

No dia 10 de junho, após cinco horas de estrada saindo da Grande Vitória, partimos rumo a Patrimônio da Penha para nosso primeiro encontro com o grupo da região do Caparaó, com exceção de Muniz Freire, que teve um dia exclusivo, como contarei mais abaixo. A viagem foi marcada por paisagens que renovaram corpo e alma, confirmando o sentido da frase gravada na entrada do Centro Cultural: “Divino Por Natureza”. Foi nesse espaço que realizamos nosso primeiro encontro com os proprietários envolvidos no projeto apoiado pelo SEBRAE Espírito Santo, o AceleraTur.

Após uma noite de descanso e com temperaturas baixas, mínima de 12° e máxima prevista de 17° no dia 11 de junho, quando nosso encontro aconteceu, a manhã chegou com neblina nas estradas e o chão ainda úmido pelo orvalho, anunciando o frio que nos acompanharia durante todo o dia.

O espaço estava preparado para causar uma ótima impressão e envolver os participantes em uma experiência única e sensorial, capaz de aguçar seus sentidos. Logo na entrada, uma embalagem de café gigante decorava a porta, e pássaros feitos com filtros de café, produzidos por artesãs de Aracruz, formavam uma bela cortina de boas-vindas.

Ao entrar, um café da manhã especial convidava os participantes a degustarem quitutes já conhecidos, acompanhados dos cafés especiais que eles mesmos produzem e valorizam. Ao fundo, uma amostra de embalagens de cafés despertava a curiosidade dos nossos convidados, enquanto uma playlist com músicas sobre café criava uma atmosfera descontraída e acolhedora. Talvez eles ainda não soubessem, mas o processo de aprendizagem já havia começado; a imersão era o primeiro passo.

Além disso, os participantes receberam uma tatuagem temporária com o símbolo do café, uma metáfora que escolhi aprofundar quando for escrever sobre a etapa em Muniz Freire. Pela manhã, vivemos um momento de escuta ativa e troca de experiências entre os produtores. Para inspirá-los ainda mais, convidamos um produtor que já desenvolve turismo de experiência em sua propriedade, mostrando na prática como uma lavoura de café pode se transformar em atrativo turístico. Encerramos esse primeiro bloco com uma introdução ao conceito de turismo de experiência.

À tarde, foi hora de colocar a mão na massa. Após apresentar exemplos que conectam café e turismo de forma estratégica, conduzimos uma atividade prática com uma ferramenta que ajudou os participantes a visualizar possibilidades dentro da realidade de cada propriedade. Foi um momento potente: exploramos juntos os potenciais existentes e saímos dali com o grupo motivado a tirar do papel aquilo que sonharam.

Até aquele momento, eles já estavam familiarizados com o que uma experiência representa. Os pássaros confeccionados com filtros de café aguçavam a curiosidade logo na entrada. Nos momentos de pausa, eles eram convidados a observar os 10 quadros que levamos, obras de artistas conhecidos que retratavam o café em diferentes perspectivas. A playlist musical também contribuía para que todos os sentidos estivessem voltados ao café. Como falei no início, eles não imaginavam que a imersão começava no instante em que pisavam naquele espaço.

Muniz Freire

Quase duas semanas depois, seguimos para Venda Nova do Imigrante, mais especificamente para a Fazenda Pindobas, onde tivemos o encontro com a turma de Muniz Freire. A aula “foi igual, mas diferente”, como dizia uma antiga propaganda de achocolatado. Levamos alguns dos elementos sensoriais desenvolvidos no Caparaó, como a playlist musical sobre café, as obras de arte para apreciação e a tatuagem temática.

Antes de destacar porque apostamos na diferenciação entre uma aula e outra, vale relatar o significado da tatuagem no contexto das nossas oficinas. Além de representar, nos braços ou nas mãos, a força de trabalho ligada ao café, de onde muitos deles tiram o sustento, a marca serviu como lembrete de que cada território, cada história, é uma identidade, e o turista precisa sair “marcado” pela experiência vivida em cada empreendimento.

E o que tornou Muniz Freire diferente do Caparaó? Escolhemos um local onde os participantes pudessem vivenciar na prática o turismo de experiência. Na Fazenda Pindobas, eles fizeram uma visita à Casanostra, espaço que resgata a história, cultura, gastronomia e vivência dos imigrantes italianos que chegaram ao Espírito Santo. Esse reforço positivo cumpriu bem o papel de materializar tudo o que estudaríamos dali para frente.

E o que tudo isso tem nos ensinado?

Muitas vezes, olhamos para fora em busca de referências e soluções distantes da nossa realidade, esquecendo-nos de olhar para dentro. Na vida, o autoconhecimento é o primeiro passo para a mudança e o amadurecimento da psique  e nos negócios, não é diferente. Avançar com o turismo de experiência em propriedades cafeeiras exige, antes de tudo, reconhecer o que já temos, quem somos e o que podemos oferecer. Resgatar as próprias histórias, com suas conquistas e fracassos, é um passo essencial para criar conexão com o turista. Mapear a estrutura, os saberes e a identidade também fazem parte do processo.

Mais do que uma metodologia de trabalho, tudo isso tem se revelado um processo terapêutico. A natureza, o autoconhecimento, o resgate da ancestralidade e a conexão com as pessoas mostram que, para nós do Decola Turismo, o que nos move vai além da profissão. Somos guiados por um propósito.

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